O filme de ficção científica da Netflix que lembra Guerra dos Mundos e está bombando

Quem procura na Netflix um filme de invasão alienígena e pensa em Guerra dos Mundos costuma esbarrar em War Machine, e a associação faz sentido pela premissa: uma máquina vinda de fora, humanos no chão sem entender o que enfrenta, e a tecnologia deles pouco ajudando. O resto do filme caminha para outro lado, e vale saber disso antes de apertar o play.

O ponto de partida

O protagonista, interpretado por Alan Ritchson, é conhecido apenas como “81”. Traumatizado depois de uma experiência no Afeganistão mostrada na abertura, ele entra no Ranger Assessment and Selection Program, o processo seletivo mais duro dos Rangers do Exército americano. Dennis Quaid e Esai Morales fazem os instrutores linha-dura, e Jai Courtney aparece rapidamente no começo.

Perto do teste final, uma máquina misteriosa cai ali por perto, e o exercício vira luta pela sobrevivência. Stephan James e Keiynan Lonsdale vivem outros sobreviventes que entram na história. O primeiro terço, de treinamento, segue o manual do quartel, com os gritos e as provas físicas de sempre, e só depois o filme muda de marcha.

Onde a comparação funciona e onde para

A crítica que se debruçou sobre o filme foi buscar referências em outro lugar. Os nomes que aparecem são Tropas Estelares e O Predador, numa escala menor, com um visual mais próximo da tradição dos mechas, de Círculo de Fogo. A comparação com Guerra dos Mundos é, portanto, mais de público do que de crítica.

A diferença está no ponto de vista. A história de Spielberg segue uma família em fuga e a sensação de mundo inteiro desabando. War Machine é um filme de soldados, curto no alcance: pouco se fala do que acontece em outras partes do planeta, e o filme foge de países reais e de política, concentrando-se na redenção pessoal do personagem. Quem espera pânico global vai encontrar perseguição, tiro e luta corpo a corpo.

O que explica os números

O diretor e corroteirista é Patrick Hughes, o australiano de Os Mercenários 3 e Dupla Explosiva, o que dá uma pista do tipo de ação que vem pela frente. O filme chegou à Netflix em 6 de março de 2026, depois de um lançamento limitado nos cinemas da Austrália em fevereiro. Foi o número 1 do ranking global, liderou a lista diária em 80 dos 87 países monitorados e ficou oito semanas no top 10.

Fechada a janela de 91 dias da plataforma, em 5 de junho, o total ficou em 139,9 milhões de visualizações. Isso coloca War Machine em nono lugar entre os filmes mais vistos da história da Netflix, logo acima de O Agente Oculto (139,3 milhões) e abaixo de Deixe o Mundo Lá Fora (143 milhões). O orçamento foi de cerca de US$ 80 milhões, contra cerca de US$ 200 milhões do filme que ele ultrapassou.

Vale o play?

War Machine Review: Alan Ritchson

A crítica ficou dividida: o filme tem 66% no Rotten Tomatoes. Entre os pontos fortes estão o ritmo seco e as sequências de perseguição filmadas para parecerem planos longos, além da presença física de Ritchson, que convence como herói de ação. Do outro lado, a lógica da história não é o forte, o enredo pode ficar repetitivo apesar das reviravoltas, e o patriotismo escapa em alguns momentos.

Se a ideia é ver um dos grandes filmes de ficção científica da plataforma, vale ajustar a expectativa: é um filme de ação com alienígena, não um estudo sobre o fim do mundo. Para uma noite de sofá e barulho, cumpre o que promete.

E o final

O primeiro filme termina em aberto e foi pensado como o começo de uma franquia. A Netflix já aprovou a continuação, com Hughes novamente na direção e na escrita, ao lado de James Beaufort, e com Ritchson também como produtor. O elenco completo ainda não foi anunciado. Hughes prometeu ao The Wrap um “banger absoluto” e disse que a sequência deve responder às principais dúvidas sobre os invasores, o que, para quem chegou ao final do primeiro, é justamente a parte que falta.

Feleciano Murene
Jornalista com mais de 5 anos de carreira, sempre trabalhando para manter os seus leitores sempre muito bem informados sobre o que acontece no mundo. Apaixonado por carros e tecnologia, vive em um multiverso.