5 vilões da Marvel que continuaram ficando mais fortes desde a estreia

Avengers: Doomsday chega aos cinemas em 18 de dezembro de 2026, com direção dos irmãos Russo e Robert Downey Jr. no papel de Doutor Destino. É um bom momento para lembrar que o Destino de 1962 não tinha nem de longe o tamanho do que vai aparecer na tela. Nos quadrinhos, vilões de primeira linha costumam crescer: cada autor novo quer um inimigo maior que o do anterior, e o poder acompanha.

O critério aqui é de escala, não de popularidade. Ficam os vilões cuja capacidade de destruir, controlar ou se reinventar subiu de patamar ao longo das décadas, edição por edição, e não só por causa de um filme. Nem todos subiram em linha reta, e dá para apontar o degrau exato de cada um.

Magneto

8 líderes dos X-Men que carregaram o futuro mutante

Em X-Men #1, de setembro de 1963, por Stan Lee e Jack Kirby, ele era um terrorista com capa vermelha e controle sobre metal. Com Chris Claremont, a partir de 1975, ganhou história e motivos, mas o salto de poder mais claro veio em Fatal Attractions, em 1993.

Na edição X-Men #25 (outubro daquele ano), com roteiro de Fabian Nicieza e Scott Lobdell e arte de Andy Kubert, Magneto desestabiliza o adamantium ligado aos ossos de Wolverine e o arranca do corpo dele. Não é mais mover um tanque ou entortar uma grade. É mexer na estrutura do metal, em escala molecular, dentro de um corpo vivo.

Wolverine só recuperou o esqueleto de adamantium em 1999. E a resposta de Charles Xavier àquele ataque, apagar a mente de Magneto, plantou a semente de outro vilão, Onslaught.

Depois de 1993, ninguém mais olhou para o poder de Magneto como antes.

Carnificina

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Cletus Kasady apareceu em The Amazing Spider-Man #344, em 1991, como colega de cela de Eddie Brock. Ainda sem simbionte, era só um assassino com cara de coringa de quinta categoria. O Carnificina propriamente dito chega em 1992, em Amazing Spider-Man #361, com David Michelinie, Erik Larsen e Mark Bagley envolvidos na criação, e já ali era mais perigoso que o próprio Venom.

A escalada vem em degraus. Em 1993, Maximum Carnage ocupou os títulos do Homem-Aranha em 14 partes. Mais tarde, as edições #430 e #431 da revista principal trouxeram o Carnificina Cósmico. Em 2019, Donny Cates e Ryan Stegman ligaram o personagem a Knull, o deus dos simbiontes, em Absolute Carnage.

Na prática, o criado do Venom virou ameaça de escala universal, mesmo que a história com Knull tenha terminado separando Cletus do simbionte original. Nem toda subida é permanente. A ameaça é.

Caveira Vermelha

A estreia é um caso curioso. O Caveira Vermelha de Captain America Comics #1, de março de 1941, criado por Joe Simon e Jack Kirby, é hoje considerado um peão. O Johann Schmidt de verdade só chega na edição #7, em outubro do mesmo ano.

Durante décadas ele foi um nazista com talento para a manipulação e poucas ferramentas além disso. O salto veio em 2014, em AXIS, evento de nove edições nascido da fase de Rick Remender em Uncanny Avengers. O Caveira, depois de tomar parte do cérebro do falecido Charles Xavier, passa a ter as habilidades telepáticas dele e o poder de Onslaught.

É o Onslaught que a briga de Magneto e Xavier deixou para trás em 1993, vinte e um anos antes. Ou seja, um vilão de 1941 sobe de patamar usando uma herança da briga entre dois personagens de 1963.

Um espião nazista com máscara de caveira passou a disputar espaço com ameaças que antes eram problema de X-Men.

Thanos

Classic Thor vs Thanos & World Breaker Hulk - Battles - Comic Vine

The Invincible Iron Man #55, de fevereiro de 1973, foi sequestrado por Jim Starlin, com Mike Friedrich no roteiro, para abrir uma mitologia cósmica dentro de uma revista de Homem de Ferro. Nela, Thanos aparece pela primeira vez ao lado de Drax, o Destruidor. Era um Eterno de Titã que já falava em escala de universo, mas ainda mandava assassinos contra o Homem de Ferro.

O primeiro degrau vem logo em seguida, em Captain Marvel #28, com o Cubo Cósmico, que o transforma de ameaça planetária em figura de poder quase infinito. Em 1977, Avengers Annual #7 mostra as seis gemas juntas. Em 1990, The Thanos Quest faz a campanha para reuni-las, e entre julho e dezembro de 1991, em The Infinity Gauntlet, de Starlin, George Pérez e Ron Lim, ele usa as gemas para se tornar quase onipotente e eliminar metade do universo, como presente à Morte.

O estalar de dedos que o cinema usou em 2018 é, na verdade, o ponto de chegada de 18 anos de escalada.

Doutor Destino

Conheça o Dr. Destino, vilão que será vivido por Robert Downey Jr.

Victor Von Doom estreou em Fantastic Four #5, em julho de 1962, criado por Stan Lee e Jack Kirby: um monarca da Latvéria de armadura, rancor e muito laboratório. O diferencial dele nunca foi força própria, e sim a capacidade de roubar a de outros.

O primeiro roubo grande é de 1966, em Fantastic Four #57 a #60, quando ele toma o Poder Cósmico do Surfista Prateado e perde essa vantagem pouco depois. Em Secret Wars (1984), de Jim Shooter, Mike Zeck e Bob Layton, toma o poder do Beyonder. Em Secret Wars (2015), de Jonathan Hickman e Esad Ribić, vira o Deus Imperador Destino, com poder emprestado de uma raça inteira de Beyonders, que o próprio Hickman tinha introduzido em Avengers e que faz o Beyonder de 1984 parecer pequeno.

Cada empréstimo de poder é maior que o anterior, e cada derrota é mais humilhante, mas ele nunca volta ao ponto de partida.

Falta saber quanto disso a Marvel vai levar para o cinema em dezembro.

Feleciano Murene
Jornalista com mais de 5 anos de carreira, sempre trabalhando para manter os seus leitores sempre muito bem informados sobre o que acontece no mundo. Apaixonado por carros e tecnologia, vive em um multiverso.