Johnny Depp não confirmou que vai voltar a ser o Capitão Jack Sparrow. O que ele fez foi dizer, em entrevista ao Entertainment Tonight durante a divulgação de Ebenezer, seu filme natalino, que o único interesse dele numa nova aventura seria dar à saga uma despedida melhor: “send them off on a better note”, nas palavras dele. Sobre o produtor Jerry Bruckheimer, foi direto: “if it’s Jerry, I trust him”.
A frase importa menos pelo que promete e mais pelo que descarta. Não é um sim, e também não é o “nunca mais” que ele já chegou a dizer sobre o papel. É uma porta entreaberta, com uma condição que ele mesmo escolheu.
Uma despedida em relação a quê
Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar, de 2017, foi o último filme da série com Depp. A saga principal rendeu cerca de US$ 4,5 bilhões em cinco filmes, de 2003 a 2017, e a Disney seguiu sem ele em 2018. Em 2022, a carreira dele passou por um julgamento de difamação, e agora ele tenta a volta com Ebenezer.
Quando um ator diz que quer “mandar a turma embora em uma nota melhor”, a pergunta natural é: melhor do que o quê? Ele não diz, mas o último filme foi o de 2017, e é razoável ler a frase como comparação com ele. É uma leitura minha, não algo que Depp tenha afirmado.
Reboot não combina com despedida
Aqui está a tensão que me parece mais interessante, e é opinião minha. Bruckheimer já disse que o novo projeto é um reboot, e que “se dependesse dele, Depp estaria nele”. Só que um reboot recomeça a história, e uma despedida pede o contrário: precisa de um passado para encerrar.
Se o filme recomeça do zero, é difícil imaginar o Jack Sparrow que o público conhece se despedindo de alguma coisa. Para a condição de Depp fazer sentido, o projeto teria de ser outro tipo de filme, mais perto de uma conclusão do que de uma nova largada. Geoffrey Rush já falou em público sobre uma possível volta de Barbossa, o que ajudaria a fechar o círculo da trilogia original.
Em que pé está o filme
O estado do projeto é menos animador do que a manchete sugere. Não há elenco confirmado, data de estreia nem roteiro finalizado. Em 2024, Bruckheimer disse que Jeff Nathanson tinha entrado no roteiro e “decifrado” a história, embora os dois primeiros atos ainda precisassem de trabalho. No verão de 2025, afirmou que estavam perto, mas ainda não tinham chegado lá. Em agosto de 2026, no D23, afirmou que as conversas com Depp seguiam e que o roteiro continuava em andamento.
Em resumo: o ator diz que só pensa em voltar para encerrar bem, o produtor diz que o ator toparia se gostasse do papel, e o roteiro ainda não está pronto para ser lido por ninguém. Os dois lados estão se esperando.
O que dá para esperar
Pelo que está na mesa, o passo seguinte é o roteiro ficar pronto e chegar às mãos de Depp, porque Bruckheimer já condicionou a volta dele a gostar do papel como foi escrito. Só então haveria o que anunciar.
Para o público, vale uma leitura sóbria: não houve confirmação e o filme não tem data. O que mudou é o tom, e isso já é diferente de anos atrás.













