Não há muito motivo para rever um anime só porque ele é bom. Os que entram nesta lista têm outra qualidade: quando você sabe como acabam, os primeiros episódios mudam de sentido. Uma fala banal vira aviso, uma cena de comédia vira tristeza. São sete títulos em que a segunda sessão é mais interessante que a primeira.
Steins;Gate
Em 2011, o estúdio White Fox adaptou o visual novel da 5pb. e da Nitroplus sobre Okabe Rintarō, um estudante que se diz cientista maluco e descobre que consegue mandar mensagens ao passado. São 24 episódios, e o início lembra uma comédia nerd.
Na segunda vez, o humor do começo dói. Você já sabe o que Okabe vai carregar e vê as piadas como o último momento de leveza antes do peso cair.
Death Note

O estúdio Madhouse levou ao ar 37 episódios entre 2006 e 2007, baseados no mangá de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata. Light Yagami encontra um caderno que mata quem tiver o nome escrito, e L, o detetive, tenta pegá-lo.
Na primeira vez você torce pelo jogo. Na segunda, repara em cada mentira, cada blefe, cada vez em que um dos dois aposta que o outro vai pensar uma coisa. É um duelo de xadrez que ganha camadas quando você acompanha as jogadas sabendo quem vence.
Neon Genesis Evangelion

Hideaki Anno dirigiu os 26 episódios no estúdio Gainax, em 1995 e 1996. A história começa como robôs contra monstros e logo se torna a de adolescentes que não sabem como lidar com os próprios sentimentos.
A segunda sessão serve para ver o que a primeira escondia: o anime é muito mais sobre a incapacidade de se conectar com os outros do que sobre as batalhas. Os últimos episódios, que pareciam estranhos, ficam coerentes.
Cowboy Bebop
Em 26 episódios, de 1998, o diretor Shinichirō Watanabe e o estúdio Sunrise acompanham Spike, Jet, Faye e Ed, caçadores de recompensa à deriva pelo sistema solar. A maioria dos episódios é independente e muda de gênero a cada semana, de faroeste a ficção científica noir.
A graça de rever está no clima. A trilha de Yoko Kanno é tão presente que mesmo os episódios mais simples valem pela atmosfera. Na segunda vez, você presta atenção ao que a série deixa de dizer sobre o passado dos protagonistas.
Puella Magi Madoka Magica
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São apenas 12 episódios, produzidos pela Shaft em 2011, com direção de Akiyuki Shinbo e roteiro de Gen Urobuchi. O ponto de partida parece o de um anime de garotas mágicas. Depois do terceiro episódio, a série vira outra.
Rever é quase obrigatório para quem passou pela virada sem se preparar. Você consegue ver como o primeiro episódio já avisa tudo e percebe o quanto cada escolha de Madoka dói quando se sabe o preço.
Fullmetal Alchemist: Brotherhood
Os 64 episódios do estúdio Bones, entre 2009 e 2010, seguem o mangá de Hiromu Arakawa do início ao fim, com Edward e Alphonse Elric atrás da pedra filosofal. Quem vê de novo percebe como os vilões, os aliados e os segredos do país de Amestris foram plantados desde o começo.
Em uma segunda sessão, personagens que eram só coadjuvantes ganham peso, e o plano geral da história fica claro. O roteiro é tão bem amarrado que dá para notar pistas que passaram despercebidas.
Attack on Titan
Adaptado do mangá de Hajime Isayama, o anime passou pelo estúdio Wit nas primeiras temporadas e pela MAPPA na fase final, e terminou em 2023. A história começa com humanidade cercada por muros e gigantes devoradores, e termina em um lugar bem diferente.
A segunda sessão revela que o autor sabia aonde ia desde o início. Falas, olhares e cenas do começo apontam para o final, e o que parecia só um mistério vira uma discussão sobre ciclos de violência e liberdade. Quem terminou a série com raiva do final tende a rever tudo com mais compreensão.


















