Antes do GTA 6: 5 jogos que tentaram roubar o trono da Rockstar

Teve quem copiasse, quem zombasse e quem prometesse mais do que cabia na tela. GTA 6 chega em 19 de novembro de 2026, só para PS5 e Xbox Series X|S, treze anos depois de GTA 5. O pré-carregamento digital abre em 12 de novembro, e a Rockstar volta a ocupar a atenção do planeta inteiro.

Nesse intervalo, muita gente tentou sentar na cadeira dela. Tem estúdio que copiou a fórmula, série que fez piada com ela e estreia que prometeu uma cidade inteira nas mãos do jogador. Até dentro da Take-Two, dona da Rockstar, a 2K quis que Mafia III (2016) competisse com a irmã. Nenhum levou o trono. A graça está em ver onde cada um tropeçou.

Driv3r (2004)

Em 2004, a Atari tratou Driv3r como a resposta oficial ao sucesso de GTA. Gastou com elenco (Michael Madsen como o policial Tanner, Ving Rhames, Michelle Rodriguez, Iggy Pop), com marketing e com três cidades reais: Miami, Nice e Istambul. O jogo tinha sido anunciado em 2002 para o ano seguinte e atravessou adiamentos até chegar, em 21 de junho de 2004.

O problema estava no controle. Bugs, perseguições que travavam e uma física de carro escorregadia derrubaram a média das críticas para perto da metade da escala. Quatro meses depois, GTA: San Andreas encerrou a discussão.

A Reflections ainda tentou zombar de Vice City, escondendo no mapa gângsteres de camisa havaiana chamados Timmy Vermicelli. A Atari vendeu o estúdio e a série para a Ubisoft em 2006, por 19 milhões de euros.

Saints Row (2006 a 2013)

Code De Saint Row 1 , SAINTS ROW – ZRYT

A Volition entendeu cedo que não venceria a Rockstar no campo dela. O primeiro Saints Row saiu em 29 de agosto de 2006, como vitrine do Xbox 360, e a partir do segundo a série foi trocando o crime sério pela bagunça. Em Saints Row: The Third (2011), o jogo já assumia a piada sem pedir licença.

Funcionou. Saints Row 2 vendeu cerca de 3,4 milhões de cópias, The Third passou de 5,5 milhões, e Saints Row IV (2013) levou a ideia ao limite: o protagonista vira presidente dos Estados Unidos e ganha superpoderes numa simulação criada por alienígenas. Quem quiser provar o melhor da série antes de novembro começa pelo The Third.

O trono continuou com a Rockstar, mas a Volition ganhou algo que a rival não oferecia: um tom próprio. Na minha leitura, o reboot de 2022 errou justamente ao baixar esse tom. Ambientado em Santo Ileso, teve nota média em torno de 63 e vendeu menos de 2 milhões de cópias. A Embracer fechou o estúdio em 31 de agosto de 2023, depois de 30 anos, e no mês seguinte o jogo já estava na PlayStation Plus.

Sleeping Dogs (2012)

https://www.youtube.com/watch?v=hzVFR7-eHTA&pp=ygUUU2xlZXBpbmcgRG9ncyAoMjAxMik%3D

Wei Shen pula de uma moto em alta velocidade para dentro de um carro em fuga, e a pancadaria na rua parece cena de filme de ação de Hong Kong. Esse era o plano de Sleeping Dogs: manter a liberdade de mundo aberto de GTA, trocar tiroteio por artes marciais e trocar os Estados Unidos por uma Hong Kong de neon.

O caminho até a prateleira foi pior que a perseguição. A United Front Games desenvolvia o projeto com a Activision, que o rebatizou True Crime: Hong Kong e o cancelou em 2011, com o jogo quase pronto, alegando problemas de qualidade. A Square Enix comprou os direitos de publicação, perdeu o nome True Crime na negociação e lançou o jogo em 14 de agosto de 2012. Quem procura uma alternativa a GTA com personalidade própria encontra na Definitive Edition, de 2014, o caminho mais curto.

A United Front fechou as portas em 2016. O jogo sobreviveu ao estúdio.

Watch Dogs (2014)

Watch Dogs Is Still The Most Inventive Take On The GTA Formula

A Ubisoft encerrou a conferência da E3 de 2012 com um jogo que ninguém conhecia: um hacker de Chicago que controlava semáforos, câmeras e celulares da cidade. A demonstração parecia o futuro, e o lançamento foi marcado para 19 de novembro de 2013, junto com a nova geração de consoles.

Em 15 de outubro, pouco mais de um mês antes da data, veio o adiamento para 2014. Watch Dogs chegou em 27 de maio, vendeu 4 milhões de cópias na primeira semana e, com o tempo, passou de 10 milhões. Só que o jogo final já não parecia o da demonstração. Um modder encontrou efeitos gráficos desativados nos arquivos, e a Ubisoft, que de início negava o rebaixamento, acabou reconhecendo que a polêmica mudou a forma como a empresa anuncia seus jogos.

Nunca ameaçou o trono. Ficou a ideia de tratar a cidade como um sistema que o jogador invade, a mais original desta lista, e a lição de que a primeira demonstração vira uma promessa que o jogo final precisa cumprir.

Cyberpunk 2077 (2020)

Foram 8 milhões de pré-vendas. Depois de The Witcher 3, a CD Projekt Red prometeu um mundo aberto em primeira pessoa numa metrópole do futuro, Night City, e o jogo chegou em 10 de dezembro de 2020, após três adiamentos. Em dez dias, vendeu 13 milhões de cópias, já descontados os reembolsos.

O estrago veio dos consoles antigos. No PC, a nota média ficou na casa dos 86; no PS4 e no Xbox One, em 57 e 61. Uma semana depois do lançamento, a Sony tirou o jogo da PlayStation Store e ofereceu reembolso, medida raríssima contra um lançamento desse tamanho. Ele só voltou em 21 de junho de 2021, com um aviso na loja.

A recuperação veio aos poucos: correções, o anime Cyberpunk: Edgerunners, na Netflix, em 2022, e a atualização 2.0 com a expansão Phantom Liberty, em 2023. Em novembro de 2025, o jogo passou de 35 milhões de cópias. É o rival que mais se aproximou da ambição de um GTA, e precisou de quase três anos de correções para merecer a comparação.

Feleciano Murene
Jornalista com mais de 5 anos de carreira, sempre trabalhando para manter os seus leitores sempre muito bem informados sobre o que acontece no mundo. Apaixonado por carros e tecnologia, vive em um multiverso.