As montadoras globais registraram cerca de US$ 55 bilhões em baixas contábeis ao reduzir suas ambições com carros elétricos, na conta publicada pela Reuters em 6 de fevereiro de 2026. É dinheiro de fábricas, plataformas e modelos que foram planejados para uma demanda que não veio no ritmo previsto. A lista de quem recuou é longa, e cada marca fez um tipo diferente de recuo.
Stellantis: a maior conta

A dona de Jeep, Ram, Dodge e Chrysler registrou baixa de cerca de € 22 bilhões no segundo semestre de 2025, uma das maiores da história do setor ligadas a elétricos. As ações chegaram a cair mais de 25% no início do pregão seguinte ao anúncio.
As mudanças aparecem nos modelos: a Ram cancelou a versão totalmente elétrica da picape 1500 e passou a apostar na 1500 REV, que carrega um gerador a gasolina, e voltou a oferecer picapes V8. A Jeep cancelou o Renegade elétrico de baixo custo e encerrou a produção do Wrangler 4xe, e a Dodge voltou a produzir um Charger a gasolina. O CEO Antonio Filosa, no cargo desde maio de 2025, disse que a empresa errou na estimativa da velocidade da transição e culpou também a execução da gestão anterior.
Ford e GM: de elétrico para híbrido com gerador
A Ford reconheceu cerca de US$ 19,5 bilhões em custos especiais, dos quais perto de US$ 5,5 bilhões com impacto em caixa, e trocou a versão elétrica da F-150 por um modelo EREV, que usa o motor a combustão como gerador. A GM registrou baixas entre US$ 6 bilhões e US$ 7,6 bilhões, conforme a contagem, adiou a picape elétrica e devolveu parte das linhas de elétricos a SUVs e picapes a combustão.
Honda, Porsche e as marcas de luxo
A Honda cancelou o AFEELA, feito com a Sony, o 0 SUV, o 0 Saloon e o Acura RSX, projetou o primeiro prejuízo anual em 70 anos e reduziu a meta de elétricos puros para menos de 30% das vendas até 2030. Em compensação, vai lançar 13 modelos híbridos entre 2027 e 2030.
A Porsche encerrou os planos de produção de baterias e adiou modelos totalmente elétricos, com custo único de € 1,8 bilhão. A Lamborghini abandonou os supercarros elétricos, e a Volvo desistiu da meta de vender só elétricos até 2030.
Por que recuaram
A explicação mais citada é a mudança na política dos Estados Unidos: o governo Trump eliminou a obrigação de veículos elétricos e revogou padrões federais de emissões, e os créditos fiscais expiraram em setembro de 2025. Os americanos compraram mais de 438 mil elétricos no terceiro trimestre de 2025, às vésperas do fim do incentivo, e a comparação com 2026 ficou ruim por esse motivo.
Há ainda a concorrência chinesa, que produz mais rápido e mais barato, a ameaça de tarifas sobre carros importados e a incerteza sobre o valor de revenda, apontada por uma pesquisa da McKinsey como o principal freio entre consumidores de luxo. O crescimento global de elétricos foi de cerca de 2% no primeiro semestre de 2026, contra algo perto de 25% em 2024 e 2025.
Recuar não é sair
O padrão mais comum é trocar o elétrico puro por um meio-termo: híbrido, híbrido plug-in ou EREV. Honda, Ford e Ram fizeram isso. Poucos fecharam a porta do elétrico de vez.
E o mercado não estacionou em todo lugar. No Reino Unido, setembro de 2026 teve 99.827 registros de elétricos, recorde mensal e alta de 37,5%. Na Alemanha, a fatia de elétricos chegou a 32,4% em agosto, impulsionada por um novo subsídio que analistas acreditam sustentar o mercado só enquanto durar. Na Austrália, os elétricos foram 24,2% dos carros novos vendidos em setembro.















