O catálogo de terror da Netflix tem muito título original e muito clássico licenciado, mas as adaptações literárias são mais raras e dão melhor assunto para a noite de domingo. As três abaixo estão no catálogo brasileiro neste 1º de novembro e mostram três maneiras diferentes de adaptar um livro: reinventar um clássico, encarar um romance difícil e esticar um conto curto até virar longa-metragem. Só a primeira funciona como grande evento de cinema. A última é a mais fraca, mas ajuda a entender o que acontece quando a ideia é melhor que a história.
Frankenstein (2025)
Guillermo del Toro trabalhou por cerca de trinta anos para chegar a este filme, que adapta o romance de Mary Shelley publicado em 1818. Oscar Isaac vive Victor Frankenstein, Jacob Elordi interpreta a Criatura, e Mia Goth e Christoph Waltz completam o elenco principal. O filme passou duas semanas em cinemas selecionados e chegou à Netflix em 7 de novembro de 2025, com 2h30 de duração.
O livro é um texto filosófico, cheio de reflexões sobre ética, ciência e natureza, e atravessa Suíça, Alemanha e o Ártico. Del Toro escolhe uma atmosfera mais expressionista e põe o peso na dor existencial dos dois personagens, o criador e a criatura. Quem espera um filme de monstro à moda antiga vai encontrar mais melancolia que susto.
Jogo Perigoso (2017)
Dirigido por Mike Flanagan antes de A Maldição da Residência Hill, o filme adapta o romance de Stephen King sobre Jessie Burlingame, vivida por Carla Gugino. Ela vai com o marido, Gerald (Bruce Greenwood), a uma casa isolada para tentar salvar o casamento. Um jogo erótico termina com Gerald morto e Jessie algemada à cama, sem ninguém por perto.
Quase tudo se passa em um único quarto. Por isso o livro era considerado difícil de filmar, e por isso o resultado funciona: Jessie passa a conversar com o marido morto e com uma versão mais segura de si mesma. O filme também trata de abuso sexual, tema que pesa no desfecho. A duração é de 1h43 e a classificação é de 16 anos.
O Telefone do Sr. Harrigan (2022)
Este é o mais fraco da lista, mas serve de contraponto. O longa de John Lee Hancock adapta um conto da coletânea Com Sangue, de 2020. O adolescente Craig, interpretado por Jaeden Martell (o Bill de It: A Coisa), faz amizade com o Sr. Harrigan, bilionário recluso vivido por Donald Sutherland. Depois que o velho morre, Craig descobre que consegue falar com ele pelo celular enterrado junto ao corpo.
A premissa é boa e cabe em poucas páginas. Esticada para quase duas horas, perde força, e parte da crítica o descreveu como competente, mas óbvio. Ainda vale pela atuação de Sutherland e pela ideia de que o luto também mora no aparelho que a gente não consegue desligar.
Para uma noite de terror de verdade, comece por Jogo Perigoso, que é o mais tenso. Para algo mais bonito de ver, vá de Frankenstein. O conto de King fica para quando sobrar tempo.













