O BYD Dolphin Mini é o carro elétrico mais vendido do Brasil, e a distância para o segundo colocado é grande. Nos primeiros 15 dias de outubro de 2026, ele emplacou 3.840 unidades, mais do que a soma dos seis elétricos que vêm depois, segundo dados da consultoria JATO Dynamics obtidos pelo portal WM1. No acumulado do ano, passa de 64 mil emplacamentos. Mas é preciso medir o tamanho do feito: no mercado geral, a Fiat Strada continua isolada na ponta, com mais de 140 mil emplacamentos no ano, e o Dolphin Mini oscila entre as primeiras posições conforme o mês.
O que os números dizem
A progressão ao longo do ano é clara. Foram 2.839 emplacamentos em janeiro, 4.872 em fevereiro e 7.048 em março, com o modelo respondendo por cerca de metade de todos os elétricos vendidos no mês. Em setembro, ele chegou a 9.385 unidades e ficou em terceiro lugar geral, a primeira vez que um carro totalmente elétrico entrou no pódio mensal do país.
Os compradores também não são, em sua maioria, empresas. Entre janeiro e julho, 35.199 das 42.930 unidades foram vendidas no varejo, o que corresponde a cerca de 82%. Entre janeiro e agosto, o Dolphin Mini liderou as vendas a pessoas físicas, à frente de Hyundai Creta e Volkswagen Tera. Esse dado importa porque mostra que o carro não se sustenta em contratos de frota, e sim na procura de quem paga do próprio bolso.
O preço que não parece de elétrico
A explicação mais forte é o valor. A tabela de julho de 2026 marca R$ 118.990 para a versão GL e R$ 119.990 para a GS. Em junho, uma campanha promocional chegou a R$ 109.990. Esse patamar coloca o carro na mesma faixa de hatches a combustão bem equipados, o que muda a pergunta do comprador: em vez de “vale pagar mais por um elétrico?”, passa a ser “por que não escolher o que custa o mesmo e gasta menos?”. A BYD afirma que o custo de rodagem é de cerca de R$ 0,09 por quilômetro, considerando uma tarifa de R$ 0,85 por kWh. Esse número é da fabricante, e o gasto real varia com a tarifa de cada casa.
Também pesa o público que busca o carro para trabalhar. Motoristas de aplicativo e pessoas com deficiência têm acesso a preços menores, a partir de cerca de R$ 99.800 em 2025, o que coloca o Dolphin Mini lado a lado com o Renault Kwid E-Tech, que na época custava R$ 99.990 e tinha menos equipamentos.
A fábrica na Bahia
A produção em Camaçari, na Bahia, começou em julho de 2025 em regime de montagem a partir de peças importadas. A BYD planejava chegar a uma fatia maior de componentes nacionais ao longo de 2026. O efeito prático é reduzir a exposição ao câmbio e ao imposto de importação, que vinha subindo para os elétricos, e abrir espaço para segurar o preço mesmo com dólar instável.
A rede de concessionárias
A BYD tem a maior rede entre as marcas de eletrificados no país, com mais de 150 pontos de venda, segundo levantamento do portal Elétricos. Para quem compra um elétrico pela primeira vez, a pergunta sobre assistência e peças vem antes da ficha técnica, e uma rede grande responde isso melhor do que qualquer promessa.
Onde a liderança pode ser desafiada
A concorrência já se mexe. A Volkswagen estuda uma versão elétrica de um carro popular de seu histórico, e outros rivais chineses, como Geely, Leapmotor e Chevrolet, começam a ocupar os degraus logo acima. Os números mensais também mostram que o Dolphin Mini perde posições quando tradicionais como Polo e HB20 fazem campanhas fortes. Imbatível entre os elétricos, sim. Imbatível no mercado, ainda não.















