Cada uma acertou de um jeito, e nenhuma copiou o jogo cena por cena. Durante décadas, “filme de game” foi sinônimo de decepção. Em 2026, a lista dos maiores sucessos do gênero tem cinco filmes lançados no mesmo ano, mais do que qualquer outro ano. O critério aqui é simples: adaptações recentes, de 2023 a 2026, que ganharam o público que jogou, medido por bilheteria, nota do público e, em alguns casos, apesar da crítica.
Dá para notar um padrão. A fidelidade que conquistou os fãs não veio de copiar fases e roteiros, e sim de acertar o que cada jogo é.
Super Mario Bros.: O Filme (2023) e Super Mario Galaxy: O Filme (2026)
O primeiro filme arrecadou US$ 1,36 bilhão e é o maior sucesso de um jogo no cinema. A continuação, inspirada em Super Mario Galaxy e Super Mario Galaxy 2 com elementos de Star Fox, fez US$ 1,013 bilhão com orçamento de US$ 110 milhões, o segundo maior valor da lista. É raro uma sequência de animação passar de US$ 1 bilhão, e mais raro ainda repetir a fórmula sem que o público cansasse.
A Illumination apostou no mundo, não na trama: cenários que lembram as fases, os itens e as referências para quem joga desde o Super Nintendo. O resultado foi um filme que adulto e criança assistem com a mesma graça, e a bilheteria mostra isso.
Sonic 3: O Filme (2024)
O terceiro filme da série faturou perto de US$ 490 milhões no mundo e, até a chegada de Resident Evil este ano, tinha a maior nota de crítica já registrada por um filme de game no Rotten Tomatoes, 86%. A trama se inspira em Sonic Adventure 2, e Keanu Reeves dá voz a Shadow, o personagem que os fãs pediam há anos.
O que conquistou o público foi a lógica de continuidade: a série acumulou personagens do jogo a cada filme, e o terceiro fez a aposta mais ousada, com um rival sério, mais sombrio e que importa para a história.
Five Nights at Freddy’s (2023)
A crítica foi dura, mas os fãs foram em peso. O filme estreou com US$ 80 milhões nos Estados Unidos, o maior fim de semana de Halloween da história, e estreou ao mesmo tempo no Peacock. Fechou perto de US$ 291 milhões no mundo. A sequência, de dezembro de 2025, abriu com US$ 64 milhões e passou dos US$ 238 milhões.
Quem criou o jogo, Scott Cawthon, participou do roteiro, e isso aparece nos detalhes: os animatrônicos, as câmeras de segurança e a mitologia que os fãs vinham discutindo há quase uma década. É a lição mais direta da lista: se o autor está na sala, o público confia.
A Minecraft Movie (2025)

Jack Black e Jason Momoa levaram o jogo mais vendido da história ao cinema, e a estreia de US$ 162,75 milhões foi o maior fim de semana de abertura já visto numa adaptação de jogo, superando o recorde de Mario. O filme fechou com cerca de US$ 961 milhões.
O que fez a diferença foi a participação do público. A cena do Chicken Jockey virou fenômeno nos cinemas, um daqueles momentos em que a plateia vira parte do filme, algo que os fãs de Minecraft já fazem há anos nos servidores.
Resident Evil (2026)

É o mais recente, e o mais curioso. Zach Cregger não refilma a história de Leon, Jill, Chris ou Claire. O filme segue Bryan (Austin Abrams), um courier médico preso num surto em Raccoon City, numa trama paralela aos eventos de Resident Evil 2 e 3. Parte dos fãs chiou antes da estreia, justamente por não ver os personagens dos jogos.
A resposta veio no cinema. O filme tem 96% de aprovação da crítica e 90% do público no Rotten Tomatoes, bem acima dos 30% do filme de 2021 e dos 39% do melhor dos seis filmes anteriores com Milla Jovovich. A abertura de US$ 60 milhões nos EUA foi a melhor da franquia, com US$ 108,3 milhões no mundo, contra um orçamento de US$ 75 milhões. A fidelidade aqui é de clima: o medo de abrir uma porta, a escassez de munição, o tipo de pavor que o jogo faz o jogador sentir.














