A Netflix anunciou em 2025 que desenvolve uma série em live-action de Capitão Planeta, a Mattel relançou bonecos de Street Sharks nos 30 anos da estreia e a IDW prepara uma HQ nova com os tubarões. A nostalgia dos anos 90 está seguindo o caminho que a dos anos 80 já percorreu: primeiro voltam os brinquedos, depois a gente admite que assistia a coisas esquisitas.
Quem cresceu com He-Man, Thundercats e as Tartarugas Ninja (1987) viu a TV dos anos 90 se encher de herdeiros. Tinha animal mutante, herói de moto, mascote de videogame e até super-herói ecológico. A fórmula quase sempre pedia um brinquedo para vender, um vilão exagerado e uma lição no final. Nem toda lição colou.
Os cinco desenhos abaixo não entram aqui por qualidade. Entram porque a abertura, o vilão ou a cara de pau da premissa ficaram na cabeça, mesmo quando o episódio em si era fraco. Estão na ordem de estreia.
Capitão Planeta e os Planetários
Cinco adolescentes de países diferentes, cinco anéis e um herói de cabelo verde que só aparecia quando o problema já tinha passado de todos os limites. Captain Planet and the Planeteers estreou em 15 de setembro de 1990, na TBS, criado por Ted Turner e Barbara Pyle, e durou seis temporadas e 113 episódios. Tom Cruise foi o primeiro nome escolhido para a voz do herói e acabou substituído por David Coburn.
O defeito é conhecido. Os vilões eram caricaturas de poluidores, como Dr. Blight e Looten Plunder, e os episódios resolviam em vinte minutos assuntos como derramamento de petróleo, caça ilegal, lixo tóxico e até drogas. Em 1993 a produção passou da DiC para a Hanna-Barbera, e o desenho ganhou o nome de The New Adventures of Captain Planet.
No Brasil, passou na Rede Globo e deixou o “Vai, Planeta!” na boca de uma geração inteira. A série da Netflix, que tem Greg Berlanti e a produtora de Leonardo DiCaprio por trás e roteiro de Tara Hernandez, vai ter de decidir quanto desse sermão mantém.
O recado nunca precisou de atualização.
Toxic Crusaders
Pegue um filme de terror com mais vísceras do que roteiro e transforme em desenho para a manhã de sábado. Não é o desenho que todo mundo assistiu; é o que quem assistiu não esquece, pelo absurdo da ideia.
Toxic Crusaders estreou em 21 de janeiro de 1991 e nasceu de The Toxic Avenger (1984), o filme de Lloyd Kaufman e Michael Herz para a Troma. Do original sobrou o nome do herói, Toxie, um mutante de coração bom que vive em Tromaville, Nova Jersey. O resto foi cortado, e ele passou a liderar um trio de heróis desajustados contra a poluição. Foram 13 episódios, uma linha de brinquedos e um videogame.
O primeiro episódio foi escrito por Chuck Lorre, que anos depois criaria Two and a Half Men e The Big Bang Theory, e que também coescreveu a música de abertura. Na prática, é um Capitão Planeta que caiu no barril de lixo tóxico.
A Troma já relançou os treze episódios em Blu-ray.
Esquadrão Marte
Três ratos enormes de jaqueta, três motos e um planeta natal tomado por invasores com cara de peixe. Biker Mice from Mars foi criado por Rick Ungar e estreou em setembro de 1993, com 65 episódios em três temporadas até fevereiro de 1996. Throttle, Modo e Vinnie fogem de Marte e caem em Chicago, onde descobrem que os Plutarkianos já estão por lá, disfarçados de empresários.
A primeira temporada saiu da Marvel Productions, o estúdio que animou Transformers e G.I. Joe nos anos 80. Era mais um candidato ao trono das Tartarugas Ninja, e chegou armado com quadrinhos, videogame e uma campanha pesada de divulgação.
No Brasil, virou Esquadrão Marte. Em Portugal, Moto Ratos de Marte, no Buereré da SIC, a partir de 1995. Só que o visual era de banda de rock e a violência era de sábado de manhã: sem sangue, sem arma de fogo, só vilão de lata e monstro de borracha.
Adventures of Sonic the Hedgehog
Foram 65 episódios entre 6 de setembro e 3 de dezembro de 1993, em menos de três meses. A conta só fecha porque era uma coprodução internacional, tocada pela DiC com a Bohbot, a italiana Reteitalia e a espanhola Telecinco, a partir dos jogos de Yuji Naka, Naoto Ohshima e Hirokazu Yasuhara.
Jaleel White, o Steve Urkel de Family Matters, era a voz de Sonic. Long John Baldry fazia o Dr. Robotnik, cercado pelos robôs Scratch, Grounder e Coconuts, que fracassavam toda semana com a mesma disciplina.
O desenho fechava cada episódio com o Sonic Sez, um segmento em que o ouriço dava conselhos sobre álcool, escola, armas e fugir de casa. Na exibição original do Reino Unido, no Channel 4, esses trechos foram cortados.
A DiC acabou largando essa versão de piada e pastelão para investir numa mais sombria, Sonic the Hedgehog, conhecida entre os fãs como SatAM. Foi quase um pedido de desculpas.
Street Sharks
Primeiro veio o boneco. O desenho veio atrás.
A linha de brinquedos da Mattel já existia quando Street Sharks chegou à TV, numa minissérie de três partes em 1994, com estreia em 7 de setembro. Depois virou semanal, dentro do bloco Amazin’ Adventures, e rendeu 40 episódios até maio de 1997. Os irmãos Bolton, Ripster, Jab, Streex e Big Slammu, viram tubarões humanoides pelas mãos do Dr. Paradigm e passam a série tentando provar à cidade que não são monstros.
A Mattel chegou a lançar 36 bonecos e 8 veículos. Em 1996, o desenho se juntou aos Dino Vengers, dinossauros alienígenas que ganharam série própria no ano seguinte, Extreme Dinosaurs.
É o mais honesto da lista, porque nunca fingiu ser outra coisa além de comercial de brinquedo de meia hora. A Discotek lançou a série em Blu-ray em 2022, e os bonecos voltaram em 2024.
Comercial bom é o que a gente lembra.













