Por que Demon Slayer ficou atrás de Jujutsu Kaisen e My Hero Academia

A discussão voltou nesta semana com o argumento de que Demon Slayer perdeu a corrida do pós-final para Jujutsu Kaisen e My Hero Academia. A régua aqui não é popularidade. Numa enquete no X sobre qual dos três teve mais impacto nos anos 2010, My Hero Academia levou 41% dos votos, Jujutsu Kaisen 29,6% e Demon Slayer 23,4%, mas é uma pesquisa informal, e no Japão o peso de Demon Slayer, a obra de Koyoharu Gotouge, é maior. O que separa as três de verdade é o que cada autor fez com a história depois que ela acabou.

O final que custou caro

O mangá de Demon Slayer terminou em 18 de maio de 2020, no capítulo 205. A batalha final no Castelo Infinito tirou boa parte do elenco principal, e o Corpo de Caçadores de Onis saiu dela quase em ruínas. O problema é o que vem depois: um salto para a era moderna, com descendentes e reencarnações dos personagens vivendo num mundo sem demônios, num epílogo curto.

Esse salto fecha a porta de um jeito elegante, e é por isso que ninguém espera uma continuação. Mas ele pula justamente a parte que o leitor mais queria ver: como os sobreviventes reconstruíram a vida. A vitória custou tanto que merecia mais espaço para ser digerida.

Sobraram perguntas que o mangá não responde. A Marca dos Caçadores nunca ganhou uma explicação completa, e o destino de Giyu Tomioka e Sanemi Shinazugawa depois dos 25 anos, idade que a obra associa a quem tem a Marca, ficou na mão da interpretação do leitor.

O que os rivais fizeram

My Hero Academia acabou em agosto de 2024, e Kohei Horikoshi respondeu às reclamações sobre pontas soltas com conteúdo extra no volume final. Não é uma continuação, mas é um epílogo expandido, feito por quem escreveu a obra.

Jujutsu Kaisen terminou o mangá principal em setembro de 2024, e o final dividiu os fãs. Gege Akutami voltou em setembro de 2025, com Yuji Iwasaki, em Jujutsu Kaisen Modulo, uma série curta passada 68 anos depois do Culling Game, em 2086, com uma raça alienígena chegando à Terra e os sorcerers Yuka e Tsurugi Okkotsu no centro. Terminou na edição 15 de 2026 da Weekly Shonen Jump e fechou em três volumes.

Ou seja, um autor deu a seus personagens um capítulo extra, o outro deu um mundo novo. Nenhum dos dois é uma cura perfeita para o final, mas os dois mostraram que a história continuava a render depois da última página.

Mas Demon Slayer não ficou sem nada

How Violent Is Demon Slayer - Read Anime Online

Para ser justo com Gotouge, a ideia de que não há material extra não se sustenta. Quando o mangá terminou, foi anunciado um spin-off curto sobre Kyojuro Rengoku, o Rengoku Gaiden. Em setembro de 2023, o guia Corps Records saiu em inglês pela Viz, com arte, informações novas sobre os personagens e um capítulo extra sobre a vida pacífica dos protagonistas depois do fim, com Tanjiro no trabalho de sempre, Tomioka e Uzui indo juntos a águas termais e uma visita médica a Kanao.

É um epílogo simpático e leve. Só que é um capítulo dentro de um livro de bastidores, publicado três anos depois, e não uma continuação que mude como se lê o final. A diferença de peso é o ponto.

O que ainda dá para fazer

Sem volta anunciada de Gotouge à revista Shonen Jump, a janela mais realista está no anime, que ainda tem terreno para acrescentar cenas originais e dar fôlego ao período pós-guerra. Há também uma ideia que circula entre os fãs há tempos: um prequel na era Sengoku, centrado em Yoriichi Tsugikuni, o espadachim que deu origem à respiração do Sol.

Seria o caminho mais coerente com o final que a autora escolheu, porque não mexe no que ficou fechado. Resta saber se Gotouge quer voltar ao mundo que encerrou de propósito.

Feleciano Murene
Jornalista com mais de 5 anos de carreira, sempre trabalhando para manter os seus leitores sempre muito bem informados sobre o que acontece no mundo. Apaixonado por carros e tecnologia, vive em um multiverso.