Quando se fala em Peaky Blinders, o nome que vem à cabeça é Tommy Shelby, o estrategista de Cillian Murphy que transformou uma gangue de Birmingham em império. Mas os fãs defendem que a Shelby mais importante não é ele. É Ada, a única irmã da família.
Dá para discordar, e a gente vai ouvir o argumento contrário no final. Antes disso, vale olhar para a trajetória dela, porque a série mostra Ada passando de militante comunista a matriarca da família, e o filme, lançado na Netflix em 20 de março, a coloca como o último fio que ainda segura Tommy.
Quem é Ada Shelby

Ada nasceu em 1893, em Small Heath, em Birmingham, filha do imigrante irlandês Arthur Shelby Sr. É mais nova que Arthur, Tommy e John e mais velha que Finn, o caçula, e foi criada, como os irmãos, por Polly Gray depois que a mãe morreu e o pai foi embora, segundo o MovieWeb. Na tela, é a atriz Sophie Rundle quem a interpreta.
Ela é a única mulher entre os irmãos e a única que não foi à Primeira Guerra nem entrou na gangue nos primeiros anos. Essa distância explica por que Ada enxerga a família com um olhar diferente: não participa da violência, mas paga o preço dela.
1. Entre as armas, na primeira temporada
Ada nunca foi uma espectadora. Na primeira temporada, ela é a única Shelby que não faz parte da gangue, e mesmo assim se joga no meio de um confronto armado. Quando Billy Kimber e os Peaky Blinders ficam frente a frente armados, Ada se coloca entre os dois lados para tentar evitar o pior. Não funciona: Kimber atira, mata Danny e fere Tommy.
O gesto mostra o que a define desde o começo. Ela não gosta de violência, mas não foge dela, e enfrenta o problema de frente.
2. A ruptura por Freddie
Ada e Freddie Thorne, comunista e amigo de Tommy, mantêm um relacionamento secreto. Quando Polly revela que Ada está grávida, Tommy ameaça Freddie, convencido de que ele só quer usá-la para obter informações da gangue.
Quando acredita que Tommy traiu Freddie, Ada rompe com a família. Ao final da temporada, casa com ele para criarem o filho juntos. Não é rebeldia por rebeldia: é a primeira vez que a série mostra que ela está disposta a perder os irmãos para defender uma convicção.
3. Dos ideais ao negócio
Entre 1922 e 1924, Ada fica longe dos negócios da família. Segundo a Historica wiki, quando Tommy monta a Shelby Unlimited, ela entra como vice-presidente. Na terceira temporada, já é a chefe de Propriedades e Aquisições, segundo o Screen Rant, e parece ter deixado para trás as ideias comunistas.
A mudança de rota pode ser lida como concessão, mas também como pragmatismo: dentro da empresa, Ada passa a ter dinheiro, contratos e influência para decidir o que acontece com a família.
4. A ponte entre os irmãos
Na quarta temporada, a família está em pedaços. Ada é uma das poucas pessoas que ainda falam com Tommy, e é ela quem convence Arthur, John e Polly a aceitarem uma reunião com ele, segundo o TV Tropes.
É um papel que nenhum outro Shelby poderia fazer. Arthur é impulsivo, Polly é desconfiada e Tommy está isolado. Ada parece ser a única com crédito para falar com todos.
5. Depois da morte de John
Em 25 de dezembro de 1925, John Shelby é morto por homens de Luca Changretta. Segundo a Historica wiki, é a partir daí que Ada passa a ajudar Tommy de forma cada vez mais direta em questões políticas e de negócios, entre 1926 e 1934.
Com a perda de mais um irmão, a posição dela muda: de irmã que cuidava da própria vida, Ada passa a ser a pessoa em quem Tommy se apoia para segurar o que sobrou.
6. A matriarca depois de Polly
Quando a sexta temporada chega, Polly Gray já saiu de cena. Segundo o Screen Rant, Ada ocupa o lugar de matriarca e de única voz da razão dos Shelby. Ela tem 41 anos.
A série não marca o momento com cerimônia: Ada simplesmente passa a ser a pessoa a quem os outros recorrem.
7. A resistência em The Immortal Man
No filme, Ada é uma das primeiras pessoas a enfrentar o caminho que Duke, o filho de Tommy, escolhe. Quando percebe que ele está indo na direção errada, decide impedi-lo. John Beckett, o político interpretado por Tim Roth, ordena que Duke a mate. Duke não consegue, e Beckett atira em Ada pessoalmente.
Tommy só descobre a morte dela por uma aparição na estrada de volta a Birmingham. A notícia o obriga a parar de fugir e enfrentar Beckett, e várias análises do final tratam a morte de Ada como o catalisador do desfecho.
O que muda quando Ada sai de cena
A forma mais simples de testar a tese é imaginar a série sem ela. Sem Ada, Tommy perde uma das poucas pessoas que ainda falavam com ele nos momentos de isolamento, e a família perde uma Shelby que, ao longo das temporadas, conseguiu circular entre a empresa e a política sem depender da violência.
Não é por acaso que o filme faz da morte dela o ponto de virada. Quando Ada cai, os Peaky Blinders ficam sem alguém que insistia em mostrar a Duke que havia outro caminho, e é isso que empurra a história para o confronto final.
O outro lado do argumento
Há uma boa razão para o título da série continuar sendo de Tommy. Foi ele quem construiu o império, tomou as decisões que moveram quase toda a história e carregou os custos. Ada influencia, aconselha e media, mas raramente decide sozinha, e é dele o arco que a série acompanha do início ao fim.
Ainda assim, a pergunta não é quem decide, e sim quem sustenta. Quando o filme termina, todos os irmãos Shelby, exceto Finn, estão mortos, e Ada morre justamente tentando evitar esse destino.
Uma sequência da série já está em desenvolvimento na Netflix. A continuação terá de provar que a família sobrevive sem a pessoa que, durante anos, a manteve unida.















