7 filmes de ficção científica que exploram robôs e inteligência artificial

A inteligência artificial já faz parte da rotina, mas o cinema vem imaginando o assunto há quase cem anos, do pesadelo ao romance. Esta seleção não segue ranking nem cronologia. A ordem acompanha as perguntas: do robô que quer ser bom ao teste que talvez esteja sendo aplicado ao contrário.

O Gigante de Ferro

Uma máquina de guerra cai do céu numa cidadezinha do Maine em 1957, e quem a encontra é um garoto de nove anos chamado Hogarth, com pouca paciência para o medo. O Gigante de Ferro (1999) marcou a estreia de Brad Bird em longas e faz a pergunta mais simples da lista: alguém feito para destruir pode escolher outra coisa? O filme parte do livro de Ted Hughes e usa a paranoia da Guerra Fria como pano de fundo. Foi mal nos cinemas na época, o que não impediu que ganhasse fãs fiéis depois. Funciona com criança e sem criança.

Metrópolis

Quase um século depois, a silhueta metálica do robô de Metrópolis (1927) segue entre as imagens mais copiadas da ficção científica, e dá para notar o parentesco com C-3PO. Fritz Lang divide sua cidade em duas: a elite no alto e os operários no subsolo. O inventor Rotwang constrói uma réplica mecânica de Maria, líder dos trabalhadores, e aí a pergunta fica clara: quem controla a máquina, e para quê? Brigitte Helm interpreta as duas versões. É um filme mudo, o que afasta muita gente. A versão restaurada em 2010, com cenas que se davam por perdidas, é a melhor porta de entrada.

2001: Uma Odisseia no Espaço

“2001: Odisseia no Espaço”: um colosso para rever em Lisboa na próxima ...

A voz de HAL 9000 (Douglas Rain) nunca sobe de volume, e isso é parte do problema. Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke levam a nave Discovery rumo a Júpiter em 1968 e colocam a bordo uma pergunta incômoda: o que acontece quando o computador conclui que a missão vale mais que a tripulação? O ritmo é lento, as imagens pedem tela grande, e o filme mostra que um vilão pode ser assustador sem levantar a mão contra ninguém.

Blade Runner: O Caçador de Androides

Em um Los Angeles chuvoso e cheio de neon, o policial Deckard (Harrison Ford) caça replicantes, androides quase idênticos a humanos, e o filme de Ridley Scott, lançado em 1982, transforma a caçada em dúvida: se o teste mede emoção, o que sobra de humano em quem o aplica? A história parte do romance de Philip K. Dick e ganhou várias versões de montagem. A mais indicada é a Final Cut (2007). O monólogo de Roy Batty (Rutger Hauer) é famoso também porque o ator reescreveu parte da fala. Para completar a sessão, existe Blade Runner 2049 (2017), de Denis Villeneuve.

Ghost in the Shell: O Fantasma do Futuro

Foto do filme Ghost in the Shell - O Fantasma do Futuro - Foto 26 de 42 ...

Quando o corpo é de máquina e a memória pode ser editada, onde mora a pessoa? É nisso que a major Motoko Kusanagi pensa o tempo todo, e o “ghost” do título é o que ela teme ter perdido: a consciência. O longa de animação de 1995, dirigido por Mamoru Oshii a partir do mangá de Masamune Shirow, trata a pergunta com calma e uma cidade de arrepiar. Quem gosta de Matrix vai reconhecer de onde veio boa parte da ideia. É denso, mas curto.

Ela

Pode parecer estranho pôr uma história de amor numa lista de robôs. Só que Ela (2013), de Spike Jonze, é sobre uma inteligência artificial sem corpo: Samantha (voz de Scarlett Johansson), o sistema operacional que passa a conversar com Theodore (Joaquin Phoenix), escritor de cartas por encomenda. A pergunta é se dá para amar um programa que aprende. Samantha Morton gravou a personagem durante as filmagens, e Johansson a substituiu depois. O filme levou o Oscar de roteiro original. É também o mais próximo do presente.

Ex Machina: Instinto Artificial

Caleb (Domhnall Gleeson) ganha um concurso e passa uma semana na propriedade isolada do chefe, Nathan (Oscar Isaac), com uma tarefa: testar Ava (Alicia Vikander). A estreia de Alex Garland na direção (2014) leva a pergunta clássica do teste de Turing e a vira do avesso, até ficar difícil saber quem está avaliando quem. O filme venceu o Oscar de efeitos visuais, e Ava prova o motivo. Quanto menos você souber antes, melhor.

Feleciano Murene
Jornalista com mais de 5 anos de carreira, sempre trabalhando para manter os seus leitores sempre muito bem informados sobre o que acontece no mundo. Apaixonado por carros e tecnologia, vive em um multiverso.