Spoilers de quadrinhos, filmes e animes. Em todos eles, o problema que o vilão aponta existe. O que condena cada um é o método. O vilão que dá medo de verdade é o que acerta no diagnóstico. Quando a dor dele é real e o público reconhece a injustiça, o conflito deixa de ser entre o bem e o mal e vira uma discussão sobre quanto custa corrigir um erro e quem paga a conta. Estes sete têm razão em algo que importa. A dúvida está no que fizeram com ela.
Magneto

Erik Lehnsherr sobreviveu ao Holocausto e olha para a perseguição aos mutantes sabendo como esse tipo de ódio costuma terminar. A causa dele é proteger um grupo minoritário que, nas histórias dos X-Men, é registrado, vigiado e caçado. Onde ele erra é na resposta: trata a humanidade inteira como inimiga e defende a supremacia mutante, o que repete a lógica de quem o perseguiu.
Killmonger

Erik Killmonger, de Pantera Negra (2018), cresceu em Oakland sabendo que Wakanda tinha tecnologia para ajudar povos oprimidos e escolheu esconder-se do mundo. A pergunta que ele faz ao reino é legítima. A resposta que propõe, porém, é armar rebeliões ao redor do planeta e assumir o trono pela força, o que produziria uma guerra global comandada por ele.
Ozymandias

Adrian Veidt, de Watchmen (1986), concluiu que a humanidade caminha para uma guerra nuclear entre EUA e URSS. O objetivo de evitar o fim do mundo é inquestionável. O método foi forjar um ataque alienígena que mata cerca de três milhões de pessoas em Nova York, para unir as superpotências contra um inimigo falso. A história deixa a pergunta sem resposta: a paz construída sobre esse massacre se sustenta?
Abutre
Adrian Toomes, de Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017), tinha um contrato para limpar os destroços da batalha de Nova York quando uma agência ligada ao governo e a Tony Stark o tirou do trabalho. A queixa é a de um trabalhador que perde o sustento por uma decisão de cima. Em vez de buscar saída legal, ele rouba tecnologia alienígena e passa a vender armas, o que transforma um problema econômico em crime.
Hera Venenosa
Pamela Isley defende plantas e ecossistemas em uma cidade que despeja poluição sem consequência. Quem acompanha as notícias sobre o clima reconhece a preocupação. O que a coloca no lado errado é a disposição de matar pessoas, com toxinas e plantas assassinas, como se vidas humanas valessem menos que as vegetais.
Pain

Nagato, de Naruto, perdeu os pais em uma guerra entre vilas ninjas e conclui que só a dor compartilhada pode acabar com o ciclo de vingança. A queixa de fundo é verdadeira, porque o mundo da série vive em guerras que se alimentam umas das outras. O plano dele é atacar Konoha para forçar o mundo a sentir o que ele sentiu, o que apenas gera mais vítimas e mais ressentimento.
Zemo
Helmut Zemo, de Capitão América: Guerra Civil (2016), perdeu a família quando Sokovia foi destruída na batalha dos Vingadores contra Ultron. O luto e a pergunta sobre quem responde pelos danos de heróis com poder ilimitado são legítimos. Ele escolhe manipular os Vingadores, provocar um atentado e fazer os heróis se enfrentarem. Zemo chega ao objetivo de dividir a equipe, mas ninguém recupera o que perdeu.
















