Nossa! Os trailers mostram Doom segurando a Stormbreaker com os dedos. Mas os quadrinhos guardam truques bem mais interessantes. Vingadores: Doutor Destino chega aos cinemas brasileiros em 17 de dezembro de 2026, e a Marvel já mostrou o bastante para deixar claro que o Victor von Doom de Robert Downey Jr. não está ali para apanhar.
Nos trailers, ele para o machado de Thor com a mão e aparece diante de um cenário em ruínas, enquanto Reed Richards pergunta se foi ele quem fez aquilo. O que ainda não apareceu é o repertório que o personagem construiu em mais de sessenta anos de HQs. Estes são os cinco recursos que eu gostaria de ver na tela, do mais provável ao mais ambicioso.
Doombots

Começo pelo mais barato e, para a estrutura do filme, o mais útil. Os Doombots são androides idênticos ao Destino, criados para lutar, negociar e morrer no lugar dele. Nos quadrinhos, muita gente já deu a vida para derrotar o Doom e descobriu depois que enfrentava uma réplica.
Doutor Destino é a primeira metade de uma história que só termina em Guerras Secretas, em 2027, e isso cria um problema de roteiro: como dar uma vitória aos heróis sem tirar o vilão da mesa? Um Doombot destruído num momento de triunfo resolve a conta. Os Vingadores comemoram, o público respira e o verdadeiro Victor segue intacto na Latvéria.
Magia

A armadura chama atenção, mas Doom sempre foi tão feiticeiro quanto engenheiro. A origem dele passa pelo aprendizado com monges tibetanos, e é daí que sai a fusão de tecnologia e arcano que define o visual do personagem. O traje de Downey Jr. já carrega runas e circuitos no mesmo metal, o que sugere que o filme pretende levar isso a sério.
O MCU tem a vantagem de já ter ensinado ao público como a magia funciona, graças a Doutor Estranho e Wanda Maximoff. Ver o Destino dobrar essas regras, ou simplesmente ignorá-las, diria mais sobre o tamanho da ameaça do que qualquer contagem de mortos.
Troca de corpos
Em Fantastic Four #10 (1963), Doom troca de mente com Reed Richards e passa a circular com o rosto do rival. É uma das ideias mais cruéis do personagem, porque ataca a identidade do herói em vez de apenas derrubá-lo.
O trailer já aponta para uma relação pessoal. Reed chama o vilão pelo primeiro nome, e Sue Storm fala de Victor como alguém que existia antes da máscara. Uma troca de corpos entre Pedro Pascal e Robert Downey Jr. seria barata de filmar, difícil de atuar e capaz de render a cena mais comentada da temporada. Duas pessoas que se conhecem demais, cada uma dentro da pele da outra.
Poder Cósmico
Em 1966, Stan Lee e Jack Kirby mostraram o Destino roubando do Surfista Prateado a energia que o tornava quase imbatível. O arco, que ocupa Fantastic Four #57 a #60, é o momento em que o vilão deixa de ser um gênio com armadura e vira uma força de escala cósmica.
A peça já está no tabuleiro: o Surfista estreou no MCU em Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (2025), com Julia Garner. Se o roteiro quiser justificar por que nenhum herói encosta no Destino, esse é o atalho mais honesto, porque tem origem clara e consequências visíveis.
O poder de Battleworld
Em Secret Wars (2015), de Jonathan Hickman, Doom absorve o poder dos Beyonders, reescreve a realidade e monta Battleworld com os restos dos universos destruídos. É o clímax da carreira dele nos quadrinhos, e tudo indica que pertence ao segundo filme.
Mesmo assim, não precisa aparecer inteiro em dezembro. Um vislumbre bastaria, um instante em que o espaço ao redor dele se dobra sem esforço e o público percebe que o que veio antes era só aquecimento. Fica de fora a máquina do tempo com que Doom estreou, em Fantastic Four #5 (1962), mas ela também pode esperar por 2027.
















